Recordo-me
de ela ter dito num tom de despedida anunciado: “Cala-te e beija-me.” Eu não a
beijei nem a acariciei. Limitei-me simplesmente a tirar-lhe as roupas que há
muito pediam abandono do corpo. Estava ali para consumir aquela carne sedenta
de amor, mas que num momento de fraqueza me despedia. Por fim, quando o agrado
nos uniu, tocou-me com o mais ínfimo dos desejos (e por momentos senti que a
tinha reconquistado), mas não, ela gemia e gritava como se aquele momento a
estivesse a fustigar. E talvez estivesse mesmo. Ferrava os lábios e deixava-se
levar pela erecção do momento, não pelo que outrora sentira… e eu simplesmente
me limitava a arquear-me em torno dela, erguendo, alto, gemidos de indelével
prazer. Quanto mais fundo em mim a sentia, mais intenso fazia soar meu grito...
Mas
na cama ao lado, outro corpo, outro sentimento.
Ela beijava-lo.
Com delicados toques de pele, sentia-lo como nunca me tinha sentido a mim. Eu
assistia. Via-la, satisfeita e continuava com a contemplação mais dolorosa que
alguém jamais ousara sentir.
Acabei
por sair. Não deu pela minha despedida. Mas o meu cheiro, o meu toque...esses
ficaram lá. Naquela rua, a tal que nós conhecíamos, acabei por acender um
cigarro e senti falta do seu beijo. A carne dela ainda ardia na minha.
Autor desconhecido (em memória a um grande Amigo)
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