A vida é curta demais para se acordar com arrependimentos.
Ama as pessoas que te tratam bem. Esquece aquelas que não.
A vida coloca cada um no seu lugar. Tudo vai e vem por uma razão.
Se tens uma segunda oportunidade, agarra-a. Ninguém disse que a vida
seria fácil. Só prometeu que iria valer a pena. Vive, deixa viver e sê
feliz!
António Feio
quinta-feira, 29 de maio de 2014
terça-feira, 27 de maio de 2014
O Mendigo
Era uma rua movimentada. Cheia de carne sórdida, mas ele aparentava estar fresco e limpo. O cheiro deles não lhe incomodava, mas o dele talvez os incomodassem, tamanho era o espaço que entre eles existia.
Fumava meios cigarros apagados e deitava-os fora ainda acesos. Por vezes levantava-se mas esquecia-se que estava sentado, e quando se sentava depressa se levantava. Parecia aquele tipo, ou seria mesmo esse modelo, que Deus se tinha esquecido dele, ou do barro para ele, numa esquina qualquer. Era um prostituído do acaso, deitado a um abandono desprezante. Uma das partes falhara com ele. Deus ou o Mundo, ou ele próprio.
Por momentos senti pena. Talvez não fosse o único, mas isso pouco me importava. Alguma coisa me dizia que aquele sujeito era de recusar compaixão e numa impulsividade, senti não compaixão, mas sim, inveja dele. Tantas vezes me vitimizei que me esquecera quem realmente foram e são as vítimas e lá estava aquele tronco cheio de aversões acumuladas a recusar piedade.
Afastou-se
da mácula que o rodeava e focou-se num reflexo, que estava há bem menos tempo
do que ele neste pedaço de despejo, mas mais bem tratado do que ele, por vários
momentos. Não percebia a demora. Irritava-me não poder observá-lo. Beber aquele
momento. Estava a aprender algo, mas não sabia o quê. Deitei o cigarro fora e
nem isso lhe desviou a atenção, como outrora outros o tinham feito. Fui para
perto dele. Estava a tentar ver o seu rosto. Segui-lhe a acção e foquei o meu
reflexo no dele. Eramos iguais.
Autor desconhecido
domingo, 25 de maio de 2014
Recordo
Recordo-me
de ela ter dito num tom de despedida anunciado: “Cala-te e beija-me.” Eu não a
beijei nem a acariciei. Limitei-me simplesmente a tirar-lhe as roupas que há
muito pediam abandono do corpo. Estava ali para consumir aquela carne sedenta
de amor, mas que num momento de fraqueza me despedia. Por fim, quando o agrado
nos uniu, tocou-me com o mais ínfimo dos desejos (e por momentos senti que a
tinha reconquistado), mas não, ela gemia e gritava como se aquele momento a
estivesse a fustigar. E talvez estivesse mesmo. Ferrava os lábios e deixava-se
levar pela erecção do momento, não pelo que outrora sentira… e eu simplesmente
me limitava a arquear-me em torno dela, erguendo, alto, gemidos de indelével
prazer. Quanto mais fundo em mim a sentia, mais intenso fazia soar meu grito...
Mas na cama ao lado, outro corpo, outro sentimento.
Ela beijava-lo. Com delicados toques de pele, sentia-lo como nunca me tinha sentido a mim. Eu assistia. Via-la, satisfeita e continuava com a contemplação mais dolorosa que alguém jamais ousara sentir.
Acabei por sair. Não deu pela minha despedida. Mas o meu cheiro, o meu toque...esses ficaram lá. Naquela rua, a tal que nós conhecíamos, acabei por acender um cigarro e senti falta do seu beijo. A carne dela ainda ardia na minha.
Mas na cama ao lado, outro corpo, outro sentimento.
Ela beijava-lo. Com delicados toques de pele, sentia-lo como nunca me tinha sentido a mim. Eu assistia. Via-la, satisfeita e continuava com a contemplação mais dolorosa que alguém jamais ousara sentir.
Acabei por sair. Não deu pela minha despedida. Mas o meu cheiro, o meu toque...esses ficaram lá. Naquela rua, a tal que nós conhecíamos, acabei por acender um cigarro e senti falta do seu beijo. A carne dela ainda ardia na minha.
Autor desconhecido (em memória a um grande Amigo)
Conhecendo
Este blogue nasceu no dia 25 de Maio de 2014 a pedido do Mafarrico para publicar as suas intensas histórias. O nome Mafarrico surge então depois de uma grande conversa entre o meu ser e o Mafarrico. O nome nunca vai ser desvendado a pedido do mesmo. Guardo esta pessoa no meu coração com muito carinho, respeito, admiração....para todo um SEMPRE!!!
Ana Oliveira
Ana Oliveira
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